domingo, 17 de outubro de 2010

"Mas eu preciso ser Outros"


Retrato de artista enquanto coisa

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado. 
Palavras que me aceitam como sou 
- eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que
olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que
vai lá fora, que
aponta lápis, que
vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

-Manoel de Barros-

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